terça-feira, 13 de outubro de 2009

Joelhos ralados

Até alguns anos atrás minha mãe dava presente do dia das crianças para mim e para minha irmã. Ela dizia que era um modo de a gente nunca perder a criança interior. E era bonito aquilo, duas adultas doidas querendo saber o que iam ganhar no dia das crianças. Esse tempo passou, passou como passa tudo que um dia foi bom na vida. Nós não ganhamos mais presentes nessa data e a sensação que tenho é que a nossa criança interior foi deixada para trás a passos largos, apressados, desorientados, passos das adultas que agora somos.

Fico pensando que algumas pessoas, a cada ano que passa, se afastam mais e mais daquilo que sonhavam ser quando crianças. Muitas se tornam tão ranzinzas, nervosas, rancorosas e tão pouco lúdicas com o que a vida lhes apresenta, que fica mesmo difícil ter sonho. O que sinto falta de ser criança é aquela sensação de acreditar que tudo ia ser possível, de que tudo tinha sabor de chocolate e que o ruim da vida era ter medo do bicho papão.

E assim, paramos de sonhar, paramos de acreditar. O ruim de ser adulto é que a gente tem que chorar baixinho, porque afinal, a gente cresceu. Sem saber que o que a maioria de nós queria mesmo era um colo macio para se amolengar. O ruim, é ver que o possível não se tornou o que sonhamos.

No final das contas, precisamos entender que crescer é o maior aprendizado de alguém. Joelhos ralados doem menos que perceber que nos tornamos adultos duros demais. Ser criança é o que a gente nunca deveria deixar de ser...

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