sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Um furinho aqui, um acolá


Todo dia quando acordo eles estão lá...nem eu olho prá eles, nem eles prá mim, e ficamos combinados assim, seguindo a vida. Para falar a verdade, na maioria das vezes me esqueço deles. Só quando estou de TPM, como nessa semana, e que devorei logo pela manhã um pacote de biscoitos recheados é que lembro que eles vão se fartar. Mas dou uma respirada básica e esnobo eles. Não por muito tempo eu sei. Assim, todo dia faço 1h de caminhada para ver se me livro um pouco deles, sem falar na yoga que já tentei para fortalecer os músculos.

Adiantou um pouco, mas eles sempre aparecem triunfantes. E sinceramente, já até peguei afeição, sou eu lá também, anos de transformação de um corpo. Por isso, hoje eustou aqui para defender todas as honrosas e dignas mulheres que tem celulites, sim, gritando, CELULITES. E quem não as tem ou é magra caveira, ou mente. Sim, eu tenho celulite, a Gisele tem e até a Juliana Paes tem suas celulites "dignas de toda mulher", como diria Preta Gil em defesa da amiga.

Mas sabe, a mídia tem culpa total nessa história, afinal, usa-se tanto photoshop nessa mulherada que não aparece um pelo encravado para contar história. Celulite é caso de pena de morte em revista, cravo e espinha doença contagiosa, e pasmem, quem nunca ficou sabendo de modelos sem umbigo e sem outras partes também. Por isso meninas, não fiquem tristes com seus furinhos, afinal, estamos acima disso. Adotem também a campanha "Mulher sem photoshop".

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

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A saudade me bateu tão forte ontem que quase saiu pela boca...

E eu pensei que quanto mais a gente sente falta de alguém, mais essa pessoa se achega para perto de nós.




terça-feira, 25 de agosto de 2009

Querida neguinha,

Hoje acordei e vim pela rua meio que como um zumbi. Na minha cabeça, oz zumbis colocam medo nas pessoas e era justamente assim que eu estava. Eu sei que dói, e dói mais que não poder dar um abraço em quem mora longe. Mas eu queria te dizer que a gente tem que ser forte, e na minha história a gente veste uns uniformes de super heroínas e saímos pelo mundo fazendo coisas boas, tendo esperança e nos salvando de nós mesmas.

Mas eu também sei que às vezes, cansa viver dentro desse meu mundo de super heroínas, então, te deixo ser apenas humana um pouquinho, depois você volta para a 'sala de justiça'. Eu acho que mesmo que a sua tristeza e a sua preguiça e desistência de ter esperança ficar enorme, o meu lado Charlote vai estar aqui para dizer que tem uma luz enorme lá no fim, pode ser no fim do túnel, no fim do arco-íris, no fim do vendaval, ou no fim de semana, tanto faz.

Lembro a você que na minha história a gente é forte demais para não sucumbir. Mesmo que a nossa alegria seja interrompida, foi alegria. E que essa tristeza fique um pouco cansada de aparecer, para a gente ser leve como pluma e dançar por aí no vento. Na minha história a gente tem tanta coisa prá fazer, é o seu trabalho, amigos, tem a coisa de ficar rica, tem os cosmopolitans, tem os bebês da Low e da Quero que vão vir, tem os ovos mexidos do Ti, tem o novo calhambeque do Keiner, tem as mamadis, os alérgicos de vez em quando, os enormes morenos das boates, os bares, as grandes amigas que moram longe, as neuroses delas, almoços com vinho, tem a caminhada agora, escrever, tudo isso que é nossa vida antes e depois de qualquer tristeza. Tudo isso que é a nossa história de verdade, e você sabe, que na minha história tem sempre final feliz.

domingo, 23 de agosto de 2009

Pela milésima vez

De tanto ele falar que eu era louca, que fazia umas coisas loucas, sem sentido ou com sentido demais, acho que estou quase acreditando nisso. E aí ela liga logo na primeira hora do dia: "Tô boa hoje não. Acho que tô ficando doida".

Era realmente isso. Eu não era louca, na verdade eu era a pessoinha mais absolutamente normal e neurótica dessa terra, porque a vida é assim mesmo, neurótica por natureza. Eu acalmei a figura e disse: "Você não é louca, isso é só carência". Mas a minha vontade era dizer que a culpa não era dela, o fato do coração ser assim meio fora de sentido. A culpa era lá de fora, não da vida, que nos convida a sermos sem sentido mesmo, a culpa era das respostas que não se encaixavam.

Eu queria ter tido alguma frase bonita prá falar com ela logo de manhã, mas eu estava com ressaca de sono e ralhei algo. Ela melhorou, mas a coisa da loucura ficou martelando na minha cabeça. Os homens falam que a gente é louca e de tento falarem, a gente fica mesmo. Mas eu acho que na verdade, eles sentem é inveja dessa neurose, dessa opinião que muda num milésimo de segundo e dessa nossa capacidade de dar 'piti' pelo simples fato da cor da blusa ter ficado feia com a saia nova. Acho que eles sentem inveja dessa loucura boa, dessa neurose que pode vir de dia, à tarde, à noite e ninguém vai te internar.

E de tanto terem inveja eles acabam ficando loucos também, com a diferença que não fica tão bonitinho neles. Ninguém quer homem dando 'piti' porque não sabe o que quer fazer da vida na quarta-feira à tarde, ou quer aguentar um mau humor sem sentido porque o dia está sem graça. Esse tipo de neurose não combina com o sexo masculino e aí está a minha revanche. Mas mesmo me sentindo vencida, lembro daquela máscara que alguns inventam só para o mundo não machucar.

Lembro que aquela loucura que você roubou de mim, se transforma numa busca incessante para ser aquilo que você nunca quis, mas que veste bem sua nova vida. E eu aqui pensando nessa barba por fazer que tanto me deixa a cara levemente vermelha, e nesse cabelo que pede uma tesoura quase sempre, e nessas roupas que parecem deixar você mais surrado do que sua alma já está.

E mesmo assim, a minha parte da loucura diz o quanto eu posso colocar em risco todas as coisas que eu digo e depois volto atrás. Porque eu fico com uma vontade imensa de te dizer umas verdades, fazer você acordar, te dar uns tapas na cara, mesmo sabendo que isso vai me matar em seguida, que vou ficar o dia inteiro com uma vontade de tirar você de dentro de mim para sempre.E isso tem me cansado por demais, às vezes parece que corri uma maratona inteira tentando chegar perto de entender algo. Eu caio no meio da maratona sempre mesmo... E por isso eu acho que é um absurdo você roubar a minha loucura, porque ainda é a única coisa que me deixa perto de algo parecido com amor.

Porque ainda é a parte em que você olhava prá mim e ficava pensando como alguém desse tamaninho podia fazer um homem como você se sentir vulnerável. Porque ainda é a parte em que você me coloca no colo e cuida de mim, e eu esqueço da loucura que é me atrever a me entregar para você pela milésima vez. Porque ainda é o lugar para onde, apesar de tudo, eu não tenho medo de voltar, mesmo indo da ponta do precipício à ponta da estrela.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Tic tac

O dia tinha amanhecido igual, tudo igual. Nada novo, a não ser a sensação de que a minha cara permanecia a mesma com um ano a mais. Coisa de genética boa e de cremes caros. Tic tac.

É assim que a vida faz, a nosso despeito ela vai longe, sem nos dar aviso, telefonema, carta, nada. Ela acontece enquanto a gente pensa e pouco faz. Errado, no meu caso, faço sempre errado. Eu quase nunca aprendo. Mas fazer diferente, começar diferente já é um modo de aprender. Tic tac e ser mais um.

A vida faz isso conosco o tempo inteiro e nem percebemos, ou talvez, não queremos perceber. Mas nem chego a achar isso triste, acho que é isso mesmo, vai lá e não é mais, como tudo é. Uma coisa que foi um dia foi. De repente você acorda e deixa de ser legal, de ser amada, e aí, mais um. Então, para que sofrer se é assim mesmo? Sem dor no estômago, sem falta de ar, sem lágrima interrompida no canto do olho e dentro da gente.

Não precisamos provar nada, porque nada que se faça vai funcionar, a não ser que o outro queira também. E esperar que o outro queira é para gente sem juízo. O outro nunca sabe o que te provoca, não sabe que você dormiu mal noite passada, que o dia foi menos ensolarado e que o sorvete nem tinha o mesmo gosto. O outro não sabe, e se sabe, não liga. Tic tac. O melhor é fazer silêncio e esperar, seguindo a vida.

Tic tac.

Porque seguir a vida faz a gente não sentir mais dor, nem raiva, nem vontade de comprar uma arma de fogo e sair descontrolada por aí. Você tem a vontade de simplesmente seguir em frente, de se misturar com a vida e ser melhor. Ser mais um, faz a gente entender que não adianta arrogância com o mundo. Muitas vezes ninguém vai sentir a falta, porque foi e foi.

Tic tac.

O engraçado é que fazer falta é simples, mas algumas pessoas não conseguem deixar isso nos outros. E então, ficamos todos pedindo pizza para duas pessoas e comendo sozinhos. Mas também temos a chance de ter uma pizza inteira só prá gente, depende do ponto de vista. Ser sozinho tem a vantagem de poder fazer tudo, de ter o mundo inteiro à mão, mas me parece mais do que vazio quando chego em casa com meu saltinho fazendo barulho e não tem ninguém prá eu poder pular no pescoço.
Tic tac.