sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Sobre o vazio
Sobre as flores
Este texto escrevi pensando na Neguinha
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
O que você deseja?
Desejamos muitas coisas ao longo da vida, algumas se perdem ou deixam de fazer parte do nosso foco de desejo, muitas passam a ser desejadas apenas de vez em quando, e outras, fazem com que a vida não seja plena se não forem concretizadas. Desejar é talvez o que nos impulsiona a viver. Uma grande e sábia amiga minha diz que a gente não pode apenas desejar, tem que ter em mente o desejo de forma positiva, para que o universo e os outros ao seu redor possam entrar na mesma sintonia.
Engraçado é que muitas das coisas da vida que realmente valem a pena, dependem de outras pessoas. Ou seja, nosso desejo, muitas vezes depende do desejo do outro. Isso é de uma loucura sem tamanho e de uma gostosura que me faz pensar o quanto todos somos ligados. Essa grande teia nos une através de nossos desejos. Alguns desejam ficar ricos, outros desejam se casar, existem aqueles que querem perder peso, uns querem ir para Paris, outros querem viajar pelo mundo, ter filhos, encontrar o grande amor, ser promovido, comer a comida da vovó, dar um abraço no amigo distante, ganhar na loteria, comer chocolate, dar um trago no cigarro, fazer amor, correr uma maratona, trabalhar menos, beber uma cerveja, dormir mais, brincar com os filhos, arranjar um emprego, ter tempo...
Desejos são infinitos e nos guardam surpresas. Alguns atravessam o tempo, passam por crises, desentendimentos, agressões, e continuam lá, intactos. Desejos são eternos, porque uma vez desejados não podem mais voltar atrás, desejar é mandar para o universo, mesmo por pensamento, as mais fortes sensações do que você realmente é e sente.
Devemos então, como essa minha amiga diz, ter muito cuidado com o que desejamos, afinal, de alguma forma, o universo sempre entende. Nossa vida se faz muito mais pelos desejos que escolhemos, do que por aqueles que sonhamos. Assim, se uma vida inteira se faz com desejos realizados, metade deveria ser feita daqueles desejos que foram os mais sonhados. Infelizmente, não é sempre que o nosso desejo é realizado, muitas vezes, chegamos perto, bem perto e, por alguma razão não dá.
Em três desejos eu quero:
Encontrar meu príncipe encantado.
Ter um filho.
Rir sempre.
Ahh, e se puder ser quatro...não parar nunca de desejar.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
DesEncontro
Cores...





terça-feira, 13 de outubro de 2009
Joelhos ralados
Fico pensando que algumas pessoas, a cada ano que passa, se afastam mais e mais daquilo que sonhavam ser quando crianças. Muitas se tornam tão ranzinzas, nervosas, rancorosas e tão pouco lúdicas com o que a vida lhes apresenta, que fica mesmo difícil ter sonho. O que sinto falta de ser criança é aquela sensação de acreditar que tudo ia ser possível, de que tudo tinha sabor de chocolate e que o ruim da vida era ter medo do bicho papão.
E assim, paramos de sonhar, paramos de acreditar. O ruim de ser adulto é que a gente tem que chorar baixinho, porque afinal, a gente cresceu. Sem saber que o que a maioria de nós queria mesmo era um colo macio para se amolengar. O ruim, é ver que o possível não se tornou o que sonhamos.
No final das contas, precisamos entender que crescer é o maior aprendizado de alguém. Joelhos ralados doem menos que perceber que nos tornamos adultos duros demais. Ser criança é o que a gente nunca deveria deixar de ser...
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Reinventando
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Minuto
Eu vejo algumas pessoas reclamando tanto e acho que pouca gente consegue seguir sentindo. Sentir é para quem tem asas de borboleta, coração como pipa no céu, pés de nuvens, mãos de polvo. Seguir sentindo é para poucos. E então, meio triste, respondi eu mesma a frase para o mundo inteiro: nem um minuto.
Eu nunca entendo, porque eu sempre acho que eu esperaria vidas a fio, muitas delas, diferentes, passageiras, faceiras, tristes, risonhas, esperando esse amor que nunca vem e talvez nunca virá. E então, eu procuro achar outra coisa que preencha os dias e que os deixe mais coloridos. E quem ousa achar isso triste é porque nunca amou de verdade, daqueles amores que você se afunda dentro da outra pessoa, daqueles amores que se olham com profundezas de outros lugares, lugares estranhos, mas que nunca se estranham. Daqueles amores que se esperaria uma vida inteira para ser feliz um minuto só.
No meu romantismo bobo de fim de tarde, eu acredito que ainda existem pessoas capazes de despertar na gente uma gota de seguir sentindo, mesmo que acabe ali na esquina. Ser feliz o tempo todo não dá, mas dá para ser feliz de vez em quando, quando a gente não tem medo, nem egoísmo.
Porque seguir sentindo faz você se desnudar inteiro, ser quase o outro. E por ter sentido um pouco isso, eu me sinto um ser de outro planeta, flutuando entre sentimentos que nunca dizem o que querem dizer e nunca sentem como devem sentir. Meu beco sem saída é uma porta aberta para poucas possibilidades, onde seguir sentindo pode parecer meio louco, mas na verdade, se pararmos para pensar, é bonito demais.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Um furinho aqui, um acolá

quinta-feira, 27 de agosto de 2009
...
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Querida neguinha,
Hoje acordei e vim pela rua meio que como um zumbi. Na minha cabeça, oz zumbis colocam medo nas pessoas e era justamente assim que eu estava. Eu sei que dói, e dói mais que não poder dar um abraço em quem mora longe. Mas eu queria te dizer que a gente tem que ser forte, e na minha história a gente veste uns uniformes de super heroínas e saímos pelo mundo fazendo coisas boas, tendo esperança e nos sal
domingo, 23 de agosto de 2009
Pela milésima vez
Era realmente isso. Eu não era louca, na verdade eu era a pessoinha mais absolutamente normal e neurótica dessa terra, porque a vida é assim mesmo, neurótica por natureza. Eu acalmei a figura e disse: "Você não é louca, isso é só carência". Mas a minha vontade era dizer que a culpa não era dela, o fato do coração ser assim meio fora de sentido. A culpa era lá de fora, não da vida, que nos convida a sermos sem sentido mesmo, a culpa era das respostas que não se encaixavam.
Eu queria ter tido alguma frase bonita prá falar com ela logo de manhã, mas eu estava com ressaca de sono e ralhei algo. Ela melhorou, mas a coisa da loucura ficou martelando na minha cabeça. Os homens falam que a gente é louca e de tento falarem, a gente fica mesmo. Mas eu acho que na verdade, eles sentem é inveja dessa neurose, dessa opinião que muda num milésimo de segundo e dessa nossa capacidade de dar 'piti' pelo simples fato da cor da blusa ter ficado feia com a saia nova. Acho que eles sentem inveja dessa loucura boa, dessa neurose que pode vir de dia, à tarde, à noite e ninguém vai te internar.
E de tanto terem inveja eles acabam ficando loucos também, com a diferença que não fica tão bonitinho neles. Ninguém quer homem dando 'piti' porque não sabe o que quer fazer da vida na quarta-feira à tarde, ou quer aguentar um mau humor sem sentido porque o dia está sem graça. Esse tipo de neurose não combina com o sexo masculino e aí está a minha revanche. Mas mesmo me sentindo vencida, lembro daquela máscara que alguns inventam só para o mundo não machucar.
Lembro que aquela loucura que você roubou de mim, se transforma numa busca incessante para ser aquilo que você nunca quis, mas que veste bem sua nova vida. E eu aqui pensando nessa barba por fazer que tanto me deixa a cara levemente vermelha, e nesse cabelo que pede uma tesoura quase sempre, e nessas roupas que parecem deixar você mais surrado do que sua alma já está.
E mesmo assim, a minha parte da loucura diz o quanto eu posso colocar em risco todas as coisas que eu digo e depois volto atrás. Porque eu fico com uma vontade imensa de te dizer umas verdades, fazer você acordar, te dar uns tapas na cara, mesmo sabendo que isso vai me matar em seguida, que vou ficar o dia inteiro com uma vontade de tirar você de dentro de mim para sempre.E isso tem me cansado por demais, às vezes parece que corri uma maratona inteira tentando chegar perto de entender algo. Eu caio no meio da maratona sempre mesmo... E por isso eu acho que é um absurdo você roubar a minha loucura, porque ainda é a única coisa que me deixa perto de algo parecido com amor.
Porque ainda é a parte em que você olhava prá mim e ficava pensando como alguém desse tamaninho podia fazer um homem como você se sentir vulnerável. Porque ainda é a parte em que você me coloca no colo e cuida de mim, e eu esqueço da loucura que é me atrever a me entregar para você pela milésima vez. Porque ainda é o lugar para onde, apesar de tudo, eu não tenho medo de voltar, mesmo indo da ponta do precipício à ponta da estrela.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Tic tac
É assim que a vida faz, a nosso despeito ela vai longe, sem nos dar aviso, telefonema, carta, nada. Ela acontece enquanto a gente pensa e pouco faz. Errado, no meu caso, faço sempre errado. Eu quase nunca aprendo. Mas fazer diferente, começar diferente já é um modo de aprender. Tic tac e ser mais um.
A vida faz isso conosco o tempo inteiro e nem percebemos, ou talvez, não queremos perceber. Mas nem chego a achar isso triste, acho que é isso mesmo, vai lá e não é mais, como tudo é. Uma coisa que foi um dia foi. De repente você acorda e deixa de ser legal, de ser amada, e aí, mais um. Então, para que sofrer se é assim mesmo? Sem dor no estômago, sem falta de ar, sem lágrima interrompida no canto do olho e dentro da gente.
Não precisamos provar nada, porque nada que se faça vai funcionar, a não ser que o outro queira também. E esperar que o outro queira é para gente sem juízo. O outro nunca sabe o que te provoca, não sabe que você dormiu mal noite passada, que o dia foi menos ensolarado e que o sorvete nem tinha o mesmo gosto. O outro não sabe, e se sabe, não liga. Tic tac. O melhor é fazer silêncio e esperar, seguindo a vida.
Tic tac.
Porque seguir a vida faz a gente não sentir mais dor, nem raiva, nem vontade de comprar uma arma de fogo e sair descontrolada por aí. Você tem a vontade de simplesmente seguir em frente, de se misturar com a vida e ser melhor. Ser mais um, faz a gente entender que não adianta arrogância com o mundo. Muitas vezes ninguém vai sentir a falta, porque foi e foi.
Tic tac.
O engraçado é que fazer falta é simples, mas algumas pessoas não conseguem deixar isso nos outros. E então, ficamos todos pedindo pizza para duas pessoas e comendo sozinhos. Mas também temos a chance de ter uma pizza inteira só prá gente, depende do ponto de vista. Ser sozinho tem a vantagem de poder fazer tudo, de ter o mundo inteiro à mão, mas me parece mais do que vazio quando chego em casa com meu saltinho fazendo barulho e não tem ninguém prá eu poder pular no pescoço.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Nada não.
Ele me odeia porque me faz lembrar as manhãs que eram boas ao acordar sendo observada. O olhar percorria todo o corpo, tentando encontrar uma palavra para descrever tanto amor. As palavras não saíam, nunca, nem quando era noite clara, nem quando o sol percorria a beirada da cama. Contudo, por mais que o sol faltasse ou a noite demorasse a chegar, estávamos lá, encontrando alguma coisa que a gente sabia que era eterno, ou pensava ser.
Finais de semana inteiros lado a lado, sem cansaço de olhar ou de amar. Não era mesmo feito para dar certo. E quando às vezes as coisas silenciavam, eu ou ele dizia: “Aqui...”, “Hum?”, ”Nada não”. E ponto. A gente sabia. E eu confesso que sempre tive medo disso, disso de me perder sem ter medo, de me entregar sem saber para onde, de ficar nele pra sempre sem saber onde, de não caber em mim e não conseguir voltar para o mundo. Tanto tempo, tanta falta, que já me esqueci de como é querer. E agora, tanta distância: “Aqui...”, “Hum?”, ”Nada não”. E continuamos a entender, mas agora no silêncio, no segredo. Era amor demais. Amor demais para desperdiçar.
sábado, 13 de junho de 2009
Faca afiada
Nesses dias de fraqueza da alma, eu tenha vontade de acordar em outra galáxia, ou então, andar por aí com o coração do lado de fora do corpo. Sabe, tirar ele prá lavar, prá pensar na vida, e deixar ele de castigo uns dias até aprender a não sofrer mais. Mas como parece que o meu coração é burro demais, acho que ele ia voltar todo empoeirado, ainda olhando para trás.
Haja coragem e haja cosmopolitan prá embebedar e mascarar a minha fraqueza. Porque se bobear, daqui a pouco estou sem as duas mãos. É difícil isso de amar, por isso eu acho que os anos de romantismo estão contados. Basta você olhar para a esquerda e para a direita. Simplesmente as pessoas não tem mais aquele ideal de amor romântico. Não que eu ache isso ruim, cada um sabe da sua vida. Mas, simplesmente, aquela coisa de amor eterno, de vida a dois, de casalzinho, de filhos robustos, estão com os dias contados.
A sensação que tenho é que as mulheres estão para um lado e os homens para outro. Sem contar que nós estamos meio perdidas do lado de cá. Lutamos, lutamos, prá que? Não sabemos o que queremos. A gente quer ser moderna, ser boa profissional e ainda queremos um homem que pague a conta, mande flores e seja viril. Alguém faça a gente cair na realidade por favor, porque do salto eu to cansada de cair. Às vezes eu acho que esse discurso todo só nos faz ficar mais complicadas do que já somos e isso afasta os homens.
Talvez por isso estamos vivendo um momento em que eles só pensam neles. Uum momento onde mais vale o eu, e nesse ponto até acho interessante, pois tem umas pessoas por aí que eu não dividiria nem chiclete. Acredito que no plano individual, homens e mulheres estão trilhando caminhos opostos. Eles sabem muito bem onde querem chegar (mesmo que o lugar não seja lá grandes coisas) e estão vendo que relacionamentos podem ser adiados. Já a mulherada anda tão desequilibrada que até na esquina tá difícil de ir. E aí mora o perigo, pois acabamos nos afastando de nós mesmas. Isso faz com que só se veja mulheres por aí frustradas, queixosas e de olhos inchados.
Eu não fico fora dessa, só que a muito tempo tenho pensando nas grandes mulheres que ficam dias, semanas, meses e anos procurando e idealizando esse amor que nunca vem. Tenho pensando que é mesmo assim, talvez ele nunca virá. E a crença de que a vida é melhor com ele terá que ser encarada de frente e refeita, repensada, retocada, repaginada, seja lá o que for. Amor não é porta para a felicidade, muitas vezes, ele é porta apenas para a desilusão, quando amamos aquilo que um dia foi e não é mais. Acho que as mais espertas devem se lembrar que essa crise toda serve para uma coisa boa: mudanças, muitas delas.
E ao não me deixar pegar o telefone ela disse: “Escreve em qualuqer lugar aí: amor próprio e desapego”. Porque simplesmente temos que contar às vezes somente com nós mesmas e entender que podemos fazer disso nosso final “feliz para sempre”.
Tenho percebido, depois de encontros e desencontros amorosos e uma busca incessante por borboletas no estômago, que esse vazio aqui dentro, essa dor, esse vácuo, pode ser bom, se cada um de nós enxergá-lo como um espaço de experiências boas, de recomeços e de luz no fim do túnel. Ou talvez, caso um amor resolva aparecer um dia no meio da tarde, é preciso tentar vê-lo de outra forma, não como o caminho para a felicidade, mas como uma parte boa dela.
Acredito que o relacionamento do futuro vai se basear na amizade em seu sentido mais pleno: companheirismo, confiança, respeito aos direitos do outro, à preservação das liberdades e dos desejos individuais. Talvez, se começarmos a tratar o amor como consequencia e não como fato principal, ele se achegue para mais perto de nós. E aí, as facas ficarão para sempre esquecidas nos armários.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Balzaquianas
Faltam uns quatro pulinhos para eu virar uma balzaquiana e isso me apavora por demais. Com essa idade, minha mãe tinha duas filhas, era casada, tinha uma profissão estável, tinha casa própria e aquelas unhas vermelhas. Eu? Bem, melhor não falar sobre isso. Melhor não falar sobre aquilo que você ama demais, mas não tem certeza, não tem direção. Ou então, melhor não falar sobre aquilo que é certo demais e te choca, porque você queria um incerto prá te cutucar durante a noite.
Eu pensava que quando tivesse lá meus muitos anos, a vida seia mais fácil, afinal, a minha tenra idade era difícil prá caramba. Ser filha de pais separados, morar em outra cidade e ligar de vez em quando prá mãe prá dizer que tudo ia bem e que eu estava mesmo virando uma mocinha, quando na verdade, a minha vontade era de continuar criança. A minha mãe era uma sábia, ela já previa o futuro.
E desde aquela época eu pensava que ser grande era só sair para trabalhar e poder chegar em casa a hora que quisesse. Mas eu descobri que ser grande, é não dormir de bichinho de pelúcia, é não comer doce porque engorda, é não chorar em qualquer lugar quando der vontade, é não ficar com quem se ama porque a vida escolheu assim, é não acreditar em conto de fadas e ainda assim, continuar sorrindo. Daqui a pouco vou ter que doar o meu urso Bruno prá alguém, porque aquilo tá cada vez mais ridículo. E pior, ele já está tão velho que deve estar cansado de dormir agrrado no meu peito por anos, aguentando meus sonhos inventados e meu choro silencioso, às vezes, sem lágrima nenhuma.
Vou ter que aposentar ele, guardar no funo do meu armário, porque os quatro pulinhos estão bem perto. Eu nem posso brincar de inventar sonho, prever o futuro, porque no meu mar, não há terra à vista. Pelo menos por enquanto, acho que vou ter que remar mais um pouco. Mas eu decidi, vou ser uma balzaquiana bem bacana quando passarem esses quatro pulinhos, vou pintar as unhas de vermelho, porque odeio cigarro, homens estão quase extintos, crianças são caras e estamos vivendo uma grande crise. Eu só não sei qual é maior: a de dentro ou a de fora...
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Lépida
Ele é tão vasto, eu tão dividida.
Não tenho medo, tenho asas escondidas.
Lá no alto eu vou voar, basta o encanto me guiar.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Talvez
Talvez você vá embora prá uma terra distante e veja que precisa voltar.
Talvez você resolva dar a volta no seu mundinho particular.
Talvez você descubra que o mundinho mudou. Mudou tanto, tanto, que você nem se reconhece mais a ponto de perguntar: “Sou eu mesmo, ali no espelho?”
Talvez você admire estrelas e goste de mar.
Talvez você sente, espere, sorria, coma, brinque, cante, e mesmo assim, nada mude.
Talvez você tenha que se desfazer de algo para ser feliz.
Talvez você não tenha saída, se sinta solitário e se torne rude.
Talvez você não esteja fazendo nada numa tarde de domingo e se dê conta de que o tempo passou.
Talvez você vire omeletes no ar.
Talvez você se decepcione com alguém que ama muito a ponto de não ver mais graça no luar.
Talvez você sorria e perceba que a vida devolve aquilo que escolhemos.
Talvez você tenha que abrir mão, pois cansou de acreditar.
Talvez você tenha que contar até 200 para não perder a paciência.
Talvez seja impossível recomeçar.
Talvez você goste de ver filmes antigos na televisão e chore no final.
Talvez você olhe nos olhos daquela pessoa e descubra que nada no mundo vai ser igual.
Talvez você seja tão bravo como um leão.
Talvez você passe na rua e sinta aquele perfume tão familiar.
Talvez você ouça de menos e fale de montão.
Mas uma coisa é certa... Vista a armadura e vá batalhar.
Mas no fim, saiba para onde voltar.
Ele não está tão a fim de você e nem de ninguém
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Um gole
Eu queria receber outra mão, uma mão diferente, leve como pluma, a pousar na minha cabeça, a me pedir um afago, um carinho, a suplicar, ordenar. Porque a outra mão sabe que estou desacostumada, ou que tocá-la seria o mesmo que trair, cometer um pecado. Eu queria receber a outra mão suavemente a tocar meu rosto. E queria receber isso sem me assustar, sem ter um soluço prá dentro a gritar que aquilo não vai durar.
E, por alguma razão, o meu sorriso precisa de um gole de vinho, um gole de alguma coisa que me leve prá algum lugar que não é estar ao seu lado e que eu não precise usar máscara. Máscara nenhuma. Que eu possa acariciar alguém sem me matar em seguida. Sem estar num lugar cheio de gente e me sentir sozinha, desamparada, apagada, meio bege, quase um fantasma a flutuar entre as pessoas.
Não o medo de me embriagar, porque só me embriagando vou gostar dele como se deveria gostar de alguém. Mas o eterno medo de cair de mim mesma. Eu não consigo amá-lo e o meu coração quase sai pela boca a me falar algumas verdades. E quando eu não consigo, ou eu finjo que posso, eu fico quase uns 10 minutos sem pensar no que é amor de verdade, sentimento de verdade. Eu nunca sei o que sobra de mim, por vezes, eu acho que não sobra nada. E quando eu sorrio, assim como sorriem as pessoas que são felizes, eu deixo essas sobras caírem um pouco e o mundo não recebe isso bem.
Isso não é feito prá dar certo, já haviam me dito isso. Amor não é feito prá dar certo. Por isso, insisto naquilo que deveria ser amor, mas não é. Finjo a felicidade, eu me obrigo a finjir que aquilo é um pedaço de vida, um pedaço de uma vidinha que eu queria, mas que eu não consigo. E nesse momento, finjo a amizade, a voz delicada, uma falsa modernidade de to nem aí. E vou me dando de forma que não sou eu, e, na verdade, de forma nenhuma. E eu vou lá, cumprir a vidinha de alguém que deveria ser feliz e não é, de alguém normal. Porque a felicidade, a verdadeira, ficou num tempo que talvez eu não possa mais tocar.
Ele me prometeu que vai dançar comigo, que vai me fazer feliz, que vai me ensinar a gostar de futebol, a diferenciar direita e esquerda e eu prometi tentar ser boazinha. Eu até me acalmei um pouco e quase consegui imaginar uma vidinha normal, sem lembrar de nenhuma outra referência. Nenhuma referência que me lembre seu modo exato de viver quase me matando de felicidade sem fazer absolutamente nada e eu entregue num êxtase irreal.
E eu prometi tentar existir além daquilo que eu julgava a minha maior expressão de amor. E prometi ser mais carinhosa ao telefone, não desligar quase na sua cara, ser mais gentil e tecer um elogio por dia. Eu prometi tentar seguir o script, eu prometi. Eu prometi tentar não carregar nada mais no peito e viver uma vida inteira prometendo não sentir.
Eu sou boa de promessa, eu só não sei se sou boazinha. Eu aguento o tranco, eu já disse, eu desço do salto, eu grito seu nome, eu troco lâmpada, eu viro mulherzinha, eu posso até ser bem mais carinhosa. Mas aquela loucura de palavra inicida e não terminada me vem à cabeça e eu não consigo. Eu sei que vai acabar, que tá bem perto, mas o bem perto quase abre um precipício do sem fim. Um preicipício toda vez que ouço aquela voz. Eu não quero finjir, eu não quero nenhuma vidinha urgente, eu não quero prometer nada para ninguém além de você, mesmo que eu seja apenas a mulher que você sempre quis, mas não pode ter.
Eu quero voltar para o lugar de onde você fugiu e eu te perdi. Eu tenho o caminho, eu tenho as direções, mas preciso de um sinal. Talvez, esperando esse sinal, posso me libertar um pouco de finjir. Eu não quero bater na mesma tecla, tanto tempo, tanta falta. O problema é a outra mão, eu até queria querer essa mão, queria ela me pegando o pescoço, o cabelo, puxando, descendo, a barriga, a perna, entrando corpo afora. Mas meu corpo recusa essa outra mão, quase uma ânsia de vômito. Cadê o gole de vinho, talvez...
