Eu sei, eu sei que não dá prá ser feliz sempre, mas minhas emoções andam tão desalinhadas, que às vezes acho que elas tomam um porre constante. Uma tristeza de fim de tarde, feita de dores no peito, buracos na alma, fome de abraço, renúncias que não aceito e nem quero, falsas verdades, uma preguiça de ter que sorrir. Minha alma anestesiada, parada no meio da estrada esperando que o farol reluza na minha cara, me acorde, me assuste. Minha alma querendo não querer, saudade abandonada, amor sem dono, sonhos em buracos isolados, inconseqüências, esperança, tudo confuso e certo demais.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Sobre as flores
A chuva toma para si a primavera, como se falasse: florzinhas tão belas, passeando por aí entre as árvores, os jardins, os ramalhetes, os cabelos das moças bonitas, que inveja! A chuva tão má cai grossa sobre as florzinhas, molha todo o vestido delas, que ficam tristes espalhadas pelo chão. O chão que, depois da chuva, fica um arco-íris de florzinhas com vestidos molhados. A primavera sente uma raiva da chuva, aperta o sol e faz raiar um dia lindo. As florzinhas ficam felizes, secam os vestidos coloridos.
O sol segura as flores com tanto amor, que elas ficam contentes: olham para o mundo cinza, de prédios altos e carros barulhentos com uma simplicidade. Mas a primavera sabe que daqui a pouco ela tem que ir. As florzinhas subitamente ficam tristes, mas prometem voltar ano que vem. A menina tenta segurar a primavera com as mãos, mas as florzinhas resmungam, pois ela está amassando os vestidos coloridos. A menina deixa a primavera ir. Com um grande esforço ela se despede de alguma coisa que ficou nas florzinhas, tão exaustas e tristes depois da chuva.
Este texto escrevi pensando na Neguinha
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