quinta-feira, 18 de junho de 2009

Nada não.

Houve um tempo em que as certezas fugiam de mim e eu achava que ia ser assim para sempre. Passados dias, meses, eu percebi o quanto as coisas podem mudar. As certezas agora fugiam dele, e agora, elas venciam. Às vezes está escuro, tarde da noite, noite clara. Já quase não chove e o sol sai só para me afrontar.

Ele me odeia porque me faz lembrar as manhãs que eram boas ao acordar sendo observada. O olhar percorria todo o corpo, tentando encontrar uma palavra para descrever tanto amor. As palavras não saíam, nunca, nem quando era noite clara, nem quando o sol percorria a beirada da cama. Contudo, por mais que o sol faltasse ou a noite demorasse a chegar, estávamos lá, encontrando alguma coisa que a gente sabia que era eterno, ou pensava ser.

Finais de semana inteiros lado a lado, sem cansaço de olhar ou de amar. Não era mesmo feito para dar certo. E quando às vezes as coisas silenciavam, eu ou ele dizia: “Aqui...”, “Hum?”, ”Nada não”. E ponto. A gente sabia. E eu confesso que sempre tive medo disso, disso de me perder sem ter medo, de me entregar sem saber para onde, de ficar nele pra sempre sem saber onde, de não caber em mim e não conseguir voltar para o mundo. Tanto tempo, tanta falta, que já me esqueci de como é querer. E agora, tanta distância: “Aqui...”, “Hum?”, ”Nada não”. E continuamos a entender, mas agora no silêncio, no segredo. Era amor demais. Amor demais para desperdiçar.

sábado, 13 de junho de 2009

Faca afiada

Ela não me deixou pegar o telefone. Na verdade acho que nem eu teria coragem de pegar o telefone. Mas, por via das dúvidas, pensei em colocar uma faca perto do telefone, assim, caso a tentação voltasse eu cortava a mão, mas não ligava.

Nesses dias de fraqueza da alma, eu tenha vontade de acordar em outra galáxia, ou então, andar por aí com o coração do lado de fora do corpo. Sabe, tirar ele prá lavar, prá pensar na vida, e deixar ele de castigo uns dias até aprender a não sofrer mais. Mas como parece que o meu coração é burro demais, acho que ele ia voltar todo empoeirado, ainda olhando para trás.

Haja coragem e haja cosmopolitan prá embebedar e mascarar a minha fraqueza. Porque se bobear, daqui a pouco estou sem as duas mãos. É difícil isso de amar, por isso eu acho que os anos de romantismo estão contados. Basta você olhar para a esquerda e para a direita. Simplesmente as pessoas não tem mais aquele ideal de amor romântico. Não que eu ache isso ruim, cada um sabe da sua vida. Mas, simplesmente, aquela coisa de amor eterno, de vida a dois, de casalzinho, de filhos robustos, estão com os dias contados.

A sensação que tenho é que as mulheres estão para um lado e os homens para outro. Sem contar que nós estamos meio perdidas do lado de cá. Lutamos, lutamos, prá que? Não sabemos o que queremos. A gente quer ser moderna, ser boa profissional e ainda queremos um homem que pague a conta, mande flores e seja viril. Alguém faça a gente cair na realidade por favor, porque do salto eu to cansada de cair. Às vezes eu acho que esse discurso todo só nos faz ficar mais complicadas do que já somos e isso afasta os homens.

Talvez por isso estamos vivendo um momento em que eles só pensam neles. Uum momento onde mais vale o eu, e nesse ponto até acho interessante, pois tem umas pessoas por aí que eu não dividiria nem chiclete. Acredito que no plano individual, homens e mulheres estão trilhando caminhos opostos. Eles sabem muito bem onde querem chegar (mesmo que o lugar não seja lá grandes coisas) e estão vendo que relacionamentos podem ser adiados. Já a mulherada anda tão desequilibrada que até na esquina tá difícil de ir. E aí mora o perigo, pois acabamos nos afastando de nós mesmas. Isso faz com que só se veja mulheres por aí frustradas, queixosas e de olhos inchados.

Eu não fico fora dessa, só que a muito tempo tenho pensando nas grandes mulheres que ficam dias, semanas, meses e anos procurando e idealizando esse amor que nunca vem. Tenho pensando que é mesmo assim, talvez ele nunca virá. E a crença de que a vida é melhor com ele terá que ser encarada de frente e refeita, repensada, retocada, repaginada, seja lá o que for. Amor não é porta para a felicidade, muitas vezes, ele é porta apenas para a desilusão, quando amamos aquilo que um dia foi e não é mais. Acho que as mais espertas devem se lembrar que essa crise toda serve para uma coisa boa: mudanças, muitas delas.

E ao não me deixar pegar o telefone ela disse: “Escreve em qualuqer lugar aí: amor próprio e desapego”. Porque simplesmente temos que contar às vezes somente com nós mesmas e entender que podemos fazer disso nosso final “feliz para sempre”.

Tenho percebido, depois de encontros e desencontros amorosos e uma busca incessante por borboletas no estômago, que esse vazio aqui dentro, essa dor, esse vácuo, pode ser bom, se cada um de nós enxergá-lo como um espaço de experiências boas, de recomeços e de luz no fim do túnel. Ou talvez, caso um amor resolva aparecer um dia no meio da tarde, é preciso tentar vê-lo de outra forma, não como o caminho para a felicidade, mas como uma parte boa dela.

Acredito que o relacionamento do futuro vai se basear na amizade em seu sentido mais pleno: companheirismo, confiança, respeito aos direitos do outro, à preservação das liberdades e dos desejos individuais. Talvez, se começarmos a tratar o amor como consequencia e não como fato principal, ele se achegue para mais perto de nós. E aí, as facas ficarão para sempre esquecidas nos armários.