E eu aceitei. Aceitei porque eu tinha passado uma raiva danada à tarde e sair de casa, sair de onde eu tinha quase explodido ia me fazer bem. Eu aceitei não por sua causa, e sim por minha causa. Eu sei, eu sou egoísta, não passo de uma tola que acha que vai funcionar, e, na verdade, nunca funciona. Eu aceitei porque, de toda maneira, você me faz rir, com essa cara de menino que fez arte, mas nem sabe qual foi. Eu aceitei porque tem sido assim, aceitar sem questionar, prá se proteger um pouco do mundo que me deixa totnta. Você nem me deixou arrumar direito, ou, na verdade, eu não fiz questão de me arrumar.
Talvez porque com você eu me ache bonita demais, sedutora demais, cheirosa demais, inteligente demais, e tudo que é demais sobra. Com a gente sempre sobra. Sobra uma coisa que passa longe de ser o que as pessoas chamariam de "estar a fim". Não é isso, na verdade eu nem sei o que é. O impressionante é que com os outros eu nunca sei, mas eu sabia antes, mas isso ficou distante. Acho que, além de boba, estou ficando velha, desacostumada dessa coisa de sentir. Eu aceitei porque eu acho bonitinho também o modo como você chega meio amassado e cansado perto de mim, sempre. E eu tenho vontade de arrumar sua blusa, a pontinha dela, feito como a gente faz com criança desalinhada.
E eu acho bonitinho o modo como você tenta paracer mais maduro e me criticar porque eu sempre te acho infantil. Vai enteneder, eu nunca sei porque eu insito nisso. Quer dizer, eu insisto, porque além de tudo, você tem frases inteligentes. Deve ser isso, eu aceitei porque no final, eu gosto da sua conversa, mesmo não concordando quase nunca com ela. As pessoas até olham a gente passar e eu sempre pergunto porque as pessoas estão olhando. Você diz que ninguém nunca olha, que eu sou louca e eu até acredito. Eu aceitei porque eu dou risada, um pouco de mim, um pouco de quem passa, um pocuo de você. eu dou uma risada que você nunca entende, e nunca sabe se é de alegria, nervosismo ou cinismo mesmo. Você quase sempre aposta no cinismo. Eu aceitei porque a sensação de andar de mãos dadas ainda me deixa nervosa, mesmo depois de tanto tempo.
A sensação de ter uma mão apalpando a minha ainda me deixa sem ar e nesse momento, eu posso fingir, meio que fechar os olhos e imaginar o que quiser. Eu aceitei porque não tenho que dar satisfações, não tenho que ser boazinha, não tenho que parecer séria, e isso é ótimo. E eu chego até a ficar orgulhosa, mesmo sabendo que amanhã nem vou me lembrar disso direito. Todas as pessoas olhando, vendo que amanhã nem vou me lembrar e me achando a pior pessoa do mundo. Eu aceitei, porque apesar de estar dura como pedra, ainda sinto arrepios com beijos demorados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário